• 03/09/2026
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Polícia Civil deflagra nova fase da Operação Alvitre e cumpre mandados na Câmara de Ipojuca por desvio de R$ 27 milhões

Polícia Civil deflagra nova fase da Operação Alvitre e cumpre mandados na Câmara de Ipojuca por desvio de R$ 27 milhões

A Polícia Civil de Pernambuco deu mais um capítulo na investigação de um dos maiores esquemas de corrupção já detectados no legislativo municipal do estado. Nesta quinta-feira (3), agentes deflagraram a terceira fase da Operação Alvitre, cumprindo 13 mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal de Ipojuca, além das cidades do Cabo de Santo Agostinho e Paulista, todas na Região Metropolitana do Recife.

O inquérito, iniciado em 2025, apura o desvio de aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A Justiça também determinou o sequestro de bens, o bloqueio de ativos financeiros e a suspensão imediata do exercício de função pública dos envolvidos, medidas drásticas para conter a continuidade do suposto crime organizado dentro do poder legislativo local.

O alvo central desta nova etapa é a Associação Cultural Social e Recreativa Mudart, uma entidade sem fins lucrativos sediada em Ipojuca. Segundo as investigações, a organização teria sido usada como “fachada” para receber, circular e lavar os recursos desviados. A Polícia Civil aponta indícios de uma atuação coordenada entre parlamentares, assessores, advogados, empresários e contadores, envolvendo liberação direcionada de verbas, cobrança de propina, triangulação financeira e saques em espécie.

Histórico de prisões e desdobramentos

A Operação Alvitre já havia ganhado notoriedade nas duas fases anteriores. Em outubro de 2025, a primeira etapa revelou o repasse irregular de verbas para instituições sem capacidade técnica para executar os serviços contratados. Já em novembro, a segunda fase culminou na prisão do então presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), e do vice-presidente, Professor Eduardo (PSD). Ambos foram soltos posteriormente e deixaram a Mesa Diretora, mas continuam sob investigação.

Em nota oficial, a corporação destacou que as diligências buscam esclarecer como os recursos eram desviados através da associação Mudart, fundada em 2012 e ainda em funcionamento. “As investigações concentram-se especialmente na Associação Mudart, apontada como instrumento para recebimento e circulação de recursos públicos”, informou a Polícia Civil.

Detalhes sobre os materiais apreendidos e os valores bloqueados devem ser divulgados em coletiva de imprensa marcada para o fim da manhã desta quinta-feira, no Recife. O caso segue sob sigilo parcial para não comprometer as próximas etapas do inquérito, que promete revelar mais nomes ligados à rede de corrupção que sangrou os cofres públicos de Ipojuca.

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