- 30/07/2025
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Major da PMPE Acusado de Roubo de Armas Há 16 Anos Permanece na Corporação e Recebe Salário de R$ 15 Mil
Um oficial da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), acusado há quase 16 anos de forjar o sequestro e cárcere privado da esposa e da filha para roubar um arsenal de armas de fogo, incluindo fuzis e metralhadoras no Sertão do estado, ainda integra as fileiras da corporação e recebe salário mensal superior a R$ 15 mil. De acordo com dados do Portal da Transparência, o major Marcos Vinícius Barros dos Santos, atualmente na reserva, segue vinculado à PMPE apesar das investigações concluídas e provas que apontam sua participação no crime.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que, desde 2013, solicitou ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a exclusão do oficial da corporação. No entanto, até hoje não houve uma decisão final. O caso remonta ao ano de 2009, quando o Grupo de Operações Especiais (GOE) identificou o major como líder de um esquema que resultou no roubo de 62 armas de fogo e mais de 1,3 mil munições de unidades da PM em cinco municípios do Sertão: Salgueiro, Serrita, Parnamirim, Terra Nova e Verdejante.
Na ocasião, o grupo alegou ter recolhido o arsenal sob ordens de supostos criminosos que mantinham a família do oficial em cárcere privado. Contudo, a investigação revelou que a situação foi forjada e que uma empresa fantasma foi criada com documentos falsos para lavagem de dinheiro obtido com a venda das armas e munições.
O inquérito foi concluído em 2010, resultando na prisão dos envolvidos, mas o processo administrativo disciplinar contra o oficial só foi finalizado em 2013. Desde então, a SDS aguarda que o TJPE determine a exclusão do militar da corporação. Em 2019, Marcos Vinícius foi promovido a major e transferido para a reserva, mesmo após ser condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por cárcere privado e peculato. Atualmente, ele cumpre pena em regime aberto, monitorado pelo Patronato Penitenciário.
Em 2021, o major foi preso novamente pela Polícia Federal durante operação que desarticulou um grupo suspeito de roubar envelopes de dinheiro de caixas eletrônicos. Um novo processo administrativo contra ele foi instaurado, mas ainda está em andamento na Corregedoria Geral da SDS.
Prejuízo Público e Ação de Ressarcimento
Uma auditoria especial do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) realizada após o roubo das armas apontou um prejuízo aos cofres públicos de aproximadamente R$ 190 mil na época – valor que, atualizado, chega a R$ 460 mil. Em 2018, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) propôs uma ação civil pública para que o major e outros quatro acusados sejam condenados ao ressarcimento desses valores. Sete anos depois, a Justiça ainda não proferiu uma decisão.
Fontes ouvidas reservadamente afirmaram que o caso do major reflete uma situação mais ampla: diversos processos antigos contra oficiais da PM permanecem parados na Corregedoria, enquanto esses militares continuam recebendo altos salários.
Procurada desde a última sexta-feira (25), a assessoria de comunicação do TJPE foi questionada sobre a demora no julgamento do pedido de exclusão do oficial, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem. Também não foi possível estabelecer contato com a defesa do major.
