- 24/09/2025
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Lula Celebra Aproximação com Trump e Defende Reforma da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou satisfação nesta quarta-feira (24) com os resultados de sua participação na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Durante uma coletiva de imprensa, Lula destacou o gesto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que demonstrou disposição para iniciar um diálogo entre os dois países.
“O que parecia impossível deixou de ser e aconteceu. Fiquei muito feliz quando Trump mencionou que surgiu uma ‘química boa’ entre nós”, afirmou Lula. Para ele, não há razão para que Brasil e Estados Unidos permaneçam distantes, considerando que são as duas maiores democracias do continente americano.
O presidente ressaltou a importância da relação bilateral e apontou áreas estratégicas de cooperação, como interesses empresariais, industriais, tecnológicos e científicos. “Temos muito interesse no debate sobre inteligência artificial, economia digital e questões comerciais. Fiz questão de dizer ao presidente Trump que há muitos assuntos a serem discutidos, incluindo a paz global. Fiquei satisfeito com sua abertura para conversar”, completou.
COP30: Um Chamado para a Ação Climática
Lula também falou sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), programada para novembro, em Belém. Ele reforçou que o evento será a “COP da verdade”, uma oportunidade para demonstrar o comprometimento global com a mitigação das mudanças climáticas.
“Será fundamental colocar cientistas frente a frente com os chefes de Estado. É essencial que todos ouçam dos especialistas o que está acontecendo no mundo, para que possamos tomar decisões mais assertivas”, disse. O presidente elogiou ainda as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) apresentadas por diversos países, classificando-as como rigorosas e razoáveis.
Defesa de uma Nova Governança Global
Sempre enfático em suas posições sobre a reforma da ONU, Lula voltou a defender uma mudança estrutural na organização. Segundo ele, a fotografia política e social do mundo em 2025 é completamente diferente daquela de 1945, ano em que a ONU foi fundada.
“É preciso acabar com o direito de veto e garantir que todos os países tenham representatividade igualitária nas decisões globais. A humanidade evoluiu, e os desafios atuais exigem uma governança mundial mais forte e equilibrada”, argumentou. Para Lula, essa reformulação deve incluir desde o estatuto até a composição dos membros.
Crítica aos Gastos Militares Globais
Ao abordar questões geopolíticas, Lula criticou duramente o aumento dos gastos militares em todo o mundo e o número crescente de conflitos armados. “Não consigo entender como o mundo escolhe destruir quando precisamos construir. Não é normal o que está acontecendo na Rússia e na Ucrânia, em Gaza, e tantos outros lugares. Temos mais conflitos hoje do que em qualquer outro momento desde a Segunda Guerra Mundial”, lamentou.
Ele questionou a lógica por trás do investimento massivo em armamentos, enquanto bilhões de pessoas ainda enfrentam fome e pobreza. “Dinheiro não falta para fabricar armas, mas parece que falta vontade política para resolver problemas urgentes, como alimentar a população mundial”, concluiu.
