• 05/09/2026
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Alcolumbre sinaliza “impeachment cruzado” no STF como freio a processo contra Alexandre de Moraes

Alcolumbre sinaliza “impeachment cruzado” no STF como freio a processo contra Alexandre de Moraes

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acionou um mecanismo de contenção política nos bastidores do Congresso ao sinalizar a parlamentares a possibilidade de um “impeachment cruzado” envolvendo dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos de congressistas do Centrão ouvidos pelo Correio Braziliense, caso o Senado avance com um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, a Casa também deveria analisar imediatamente pedidos semelhantes contra o ministro André Mendonça. A manobra não representa uma decisão formal de abertura de processos, mas funciona como um instrumento de dissuasão para elevar o custo político de qualquer ofensiva unilateral contra integrantes da Corte.

A estratégia ganha força em meio ao acirramento da crise institucional e às acusações recentes que envolvem Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em contratos com o Banco Master. Ao colocar na mesa a hipótese de atingir simultaneamente ministros identificados com campos ideológicos opostos, Alcolumbre busca equilibrar as pressões e evitar que o Legislativo seja instrumentalizado por disputas partidarizadas. O recado teve efeito imediato nas articulações internas, mexendo com o cálculo de setores da oposição que vinham cobrando a saída de Moraes. Para o presidente do Senado, se houver exigência de apuração rigorosa sobre um lado, a mesma régua deve ser aplicada ao outro, sob pena de transformar o Senado em tribunal de exceção.

Apesar do aviso, a pressão não cessou totalmente. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou pedido de impeachment de Moraes por suposto crime de responsabilidade, citando conflitos de interesse envolvendo Daniel Vorcaro. A petição contou até com assinaturas de senadores da base governista, como Leila Barros (PDT-DF) e Jorge Kajuru (PSB-GO). Já Carlos Viana (PSD-MG) voltou a cobrar a retomada dos trabalhos plenários para tratar do tema. No entanto, parlamentares avaliam que abrir fogo contra dois ministros da Corte envenenaria definitivamente a relação entre os Poderes. Alcolumbre, que controla a pauta e até agora se mostrou reticente, reforçou nesta semana sua defesa de Moraes e provocou adversários ao questionar por que “todo mundo esqueceu” detalhes do contrato milionário, indicando que a batalha pelo controle narrativo da crise está longe de acabar.

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