• 11/08/2026
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Déficit histórico: Paraíba opera com pouco mais da metade do efetivo policial previsto em lei

Déficit histórico: Paraíba opera com pouco mais da metade do efetivo policial previsto em lei

A segurança pública da Paraíba enfrenta um descompasso alarmante entre a legislação e a realidade operacional. Segundo o “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026”, divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado possui apenas 2,5 policiais militares para cada 100 mil habitantes, figurando entre as menores proporções do país. Em números absolutos, a Polícia Militar (PM) contava, em 2025, com 10.309 profissionais na ativa, o que representa somente 54,4% dos 18.935 postos previstos na legislação estadual. Na prática, cada PM é responsável por cobrir uma área média de 5 km², sobrecarregando as equipes e limitando a capacidade de policiamento ostensivo.

O levantamento expõe ainda uma disparidade remuneratória que pode agravar a crise de pessoal. Com uma média salarial bruta de R$ 7.832,83, os militares paraibanos recebem menos que a maioria dos colegas da federação, ocupando a 26ª posição no ranking nacional. O topo da lista é liderado por Goiás (R$ 15.687,47) e Distrito Federal (R$ 14.427,87). A reportagem tentou obter um posicionamento oficial da Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (SSDS) sobre os dados e possíveis medidas de mitigação, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

Sub-representação feminina e déficit generalizado

A diversidade de gênero dentro da corporação também é um ponto de atenção. As mulheres representam apenas 7,9% do efetivo da PM paraibana (811 profissionais contra 9.498 homens), configurando o segundo menor percentual do Brasil, superior apenas ao do Ceará (6,9%). O índice está bem abaixo da média nacional, que é de 13,3%, evidenciando barreiras estruturais ou culturais que dificultam a inserção feminina na segurança pública local.

O cenário de escassez se repete nas demais forças de segurança. A Polícia Civil opera com um déficit ainda mais severo: dos 6.300 cargos previstos em lei, apenas 2.169 estão preenchidos (34,4%), resultando em uma taxa de 0,5 policial civil para cada mil habitantes. O efetivo atual é composto por 325 delegados, 504 escrivães e 1.340 investigadores/agentes. Já a Polícia Penal apresenta um quadro ligeiramente melhor, com 1.649 servidores ativos, atingindo 68,7% das 2.400 vagas legais. Como complemento à segurança estadual, 55 municípios contam com Guardas Civis Municipais, totalizando 1.551 agentes distribuídos pelo território paraibano.

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