- 18/03/2026
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Felca é alvo de nova onda de ódio após vigência do ECA Digital: “Lá vamos nós de novo”
O influenciador digital Felipe Bressanim, conhecido no meio artístico como Felca, tornou-se novamente o epicentro de uma tempestade nas redes sociais. Nesta quarta-feira (18), logo após a entrada em vigor da Lei 15.211/2025 — popularmente denominada ECA Digital —, o criador de conteúdo revelou ter sido inundado por mensagens ofensivas em sua caixa privada. Com um misto de resignação e ironia, Felca resumiu o cenário: “Lá vamos nós de novo”.
Entre os ataques, destacam-se acusações infundadas de que o youtuber teria sido o articulador das novas determinações legais. Os detratores alegam, sem provas, que a normativa prejudicaria a comunicação entre menores e suas famílias. A hostilidade não é um fato isolado, mas a retomada de um conflito que se arrasta desde agosto de 2025, quando Felca ganhou notoriedade ao denunciar a adultização de crianças e adolescentes na internet. À época, seu movimento catalisou uma enxurrada de denúncias contra perfis suspeitos e contribuiu indiretamente para o cerco judicial que resultou na prisão de Hytalo Santos, condenado por explorar comercialmente imagens pornográficas envolvendo menores.
A tensão escalou no início deste ano. Em janeiro, usuários da plataforma de jogos Roblox organizaram protestos virtuais contra Felca após a implementação de mecanismos de verificação de idade para o uso do chat no sistema — uma das medidas preventivas que antecederam a nova lei. Agora, com o texto definitivo em vigor, a fúria de parte da base de usuários de games e redes sociais volta a se concentrar na figura do influenciador, ignorando que a legislação é resultado de um longo trâmite no Congresso Nacional e de demandas da sociedade civil, e não de uma vontade individual.
O que muda com o ECA Digital
A Lei 15.211/2025 representa um marco regulatório inédito no Brasil. Trata-se da atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para a era digital, sendo a primeira norma brasileira a estabelecer regras claras e punições diretas às plataformas de internet. O foco central é blindar crianças e adolescentes contra os riscos do ambiente online, ampliando direitos fundamentais já previstos no estatuto original, mas transpondo-os para a realidade dos algoritmos e das interações virtuais.
O texto legal é enfático ao afirmar que a proteção no ciberespaço é uma responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade. Longe de ser um instrumento de censura, como apregoam os críticos nas redes, o ECA Digital exige transparência das grandes techs sobre o funcionamento de seus sistemas de recomendação e moderação de conteúdo. A grande mudança prática reside na ampliação do escopo de proteção: doravante, qualquer produto ou serviço tecnológico direcionado a esse público, ou que seja massivamente utilizado por ele, deverá observar as normas de segurança e privacidade estabelecidas pela nova lei.
Enquanto o debate jurídico e social avança para a aplicação prática da norma, figuras públicas como Felca continuam na linha de frente, absorvendo o impacto inicial da reação de setores que veem na regulamentação uma ameaça à liberdade irrestrita, mesmo que isso custe a segurança dos mais jovens.
