- 06/07/2026
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Flávio Bolsonaro promete “reverter estrago” de Lula em audiência nos EUA sobre tarifa de 25%
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou, nesta terça-feira (7), de uma audiência pública nos Estados Unidos para discutir a possível imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante o evento, promovido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o parlamentar afirmou que seu objetivo é “reverter o estrago” causado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão final sobre a tarifa está prevista para o dia 15 de julho.
Flávio teve apenas cinco minutos para discursar na etapa final da investigação comercial aberta pelo governo norte-americano. Em vídeo publicado nas redes sociais na véspera do evento, o senador reforçou sua posição: “Eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil, ainda. Vejo notícias dizendo que posso atrapalhar. Está de brincadeira! O Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou”.
Na avaliação de Flávio, a postura do atual governo federal é o principal fator de risco para a adoção das tarifas. “Na minha opinião, o comportamento de Lula é deliberado para atrair as tarifas”, declarou. Ele prometeu que, caso vença as eleições de 2026 e assuma a presidência em 2027, adotará uma nova abordagem nas relações bilaterais, negociando “de igual para igual” para evitar medidas protecionistas.
Acusações dos EUA contra o Brasil
A investigação do USTR lista uma série de práticas consideradas “irrazoáveis” por parte do Brasil. Entre as acusações estão interferências no comércio digital, com ordens judiciais secretas para remoção de conteúdo e suspensão de perfis em plataformas americanas, além de multas pesadas e restrições financeiras a essas empresas. Os EUA também criticam políticas que favorecem concorrentes locais de serviços de pagamento eletrônico.
Outros pontos levantados incluem tarifas preferenciais injustas concedidas a produtos do México e da Índia; insuficiência no combate à corrupção e à falsificação; morosidade na análise de patentes, especialmente na área biofarmacêutica; falta de reciprocidade no mercado de etanol desde 2017; e falhas históricas na aplicação eficaz das leis contra o desmatamento ilegal.
Contexto político e a hashtag #Tariflávio
O movimento de Flávio ocorre em um cenário de alta tensão política. Quando Donald Trump impôs as primeiras tarifas ao Brasil em abril do ano passado, Lula assumiu a defesa dos interesses nacionais, o que contribuiu para a recuperação de sua popularidade. Parte da família Bolsonaro chegou a comemorar a taxação na época, estratégia que acabou beneficiando o petista.
Recentemente, Flávio esteve pessoalmente com Trump na Casa Branca, às vésperas do anúncio da nova taxação. Isso gerou críticas nas redes sociais, com a hashtag #Tariflávio ganhando destaque e associando o senador à possível penalização econômica contra o país. Agora, o pré-candidato busca se reposicionar como defensor da soberania nacional, tentando dissociar sua imagem da acusação de agir como intercessor de interesses estrangeiros.
