- 15/09/2026
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Pesquisa Quaest: Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula no 2º turno pela primeira vez na campanha
Uma nova rodada da pesquisa Quaest, contratada pelo GLOBO e divulgada nesta segunda-feira (14), registra um momento inédito na corrida presidencial de 2026: pela primeira vez desde o início da campanha, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com uma vantagem numérica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. O senador alcançou 42% das intenções de voto, enquanto o atual mandatário ficou com 40%.
É importante ressaltar que, como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos continuam tecnicamente empatados. No entanto, a oscilação é significativa se comparada ao levantamento anterior, realizado na semana passada, quando ambos marcavam 41%. A mudança sugere uma leve, mas consistente, migração de intenções em favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O impacto da crise no STF
A sondagem foi realizada entre os dias 10 e 13 de setembro, período em que o país acompanhou de perto a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). As disputas internas na Corte, especialmente as envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o caso Master, dominaram o noticiário e pautaram as estratégias de campanha.
Flávio Bolsonaro, que também é investigado no âmbito do Caso Master, concentrou seus ataques na figura de Moraes, tentando associar o ministro ao governo Lula. Essa estratégia parece ter surtido efeito entre certos segmentos do eleitorado. A vantagem numérica do bolsonarista foi puxada principalmente pelos eleitores independentes — aqueles que não se identificam nem com a esquerda/lulismo, nem com a direita/bolsonarismo. Entre esse grupo, Flávio abriu dez pontos de vantagem (36% a 26%).
Avanço no Sudeste e entre mulheres
Outro dado que chama a atenção é a performance de Flávio no Sudeste, a região mais populosa e economicamente influente do país. Ali, a diferença entre ele e Lula saltou de nove para 16 pontos percentuais em apenas uma semana. Embora a variação esteja dentro da margem de erro regional (três pontos), a curva de crescimento é clara.
No eleitorado feminino, onde Lula tradicionalmente tem mais força, a vantagem do petista também diminuiu. A liderança de Lula caiu de seis para três pontos percentuais, indicando que Flávio está conseguindo reduzir a rejeição e conquistar espaço até mesmo entre as mulheres.
Para onde vão os votos dos outros candidatos?
A pesquisa também simulou outros cenários de segundo turno. Contra Augusto Cury (Avante), Lula teria 38% contra 36%; contra Ronaldo Caiado (PSD), 41% a 39%; e contra Renan Santos (Missão), 41% a 38%. Apenas Romeu Zema (Novo) não conseguiu atingir o empate técnico, ficando com 33% contra 45% do presidente.
Os dados de migração de votos mostram que Flávio é o principal destino dos eleitores de Cury, Caiado e Renan Santos caso esses não passem para o segundo turno. Entre os apoiadores de Renan Santos, 50% migrariam para Flávio; entre os de Cury, 41% fariam o mesmo movimento.
Aprovação de Lula segue estável
Apesar da pressão política e da repercussão de casos envolvendo aliados e familiares, como Lulinha, a aprovação do governo Lula permaneceu estável em 43%, mesmo índice da pesquisa anterior. Em agosto, a aprovação estava em 48%, o que indica uma leve queda ao longo do mês, mas sem colapso imediato.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores em todo o país, com registro no TSE sob o protocolo BR-03607/2026. Com o primeiro turno se aproximando, a disputa mostra-se cada mais acirrada, e a capacidade de cada candidato de converter os indecisos e atrair votos de terceiros será determinante para o desfecho das urnas.
